O Chamado à Santidade

O próprio Deus, ao longo de toda a Escritura, repete uma mesma ordem ao Seu povo: "Sede santos, porque Eu sou santo" (1 Pedro 1:16). Esta não é uma sugestão para os mais espirituais, mas um mandamento para todos os que foram chamados por Ele. A santidade não é uma opção na vida cristã; é a própria essência do Evangelho. Neste estudo, quero refletir sobre o que é a verdadeira santidade e como ela deve ser buscada em nossos dias, em meio a uma igreja que tantas vezes se contenta com uma vida medíocre e distante do coração de Deus.

Não podemos falar de santidade sem primeiro contemplar a santidade de Deus. Os serafins clamam incessantemente: "Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da Sua glória" (Isaías 6:3). A santidade divina é a perfeição moral absoluta, a pureza incomparável. Diante dela, o profeta Isaías se sentiu perdido, um homem de lábios impuros. Se não entendermos a santidade de Deus, jamais entenderemos a nossa própria necessidade de santificação.

A santificação do crente é um processo que envolve Deus e o homem. O apóstolo Paulo ensina que fomos santificados em Cristo (posicional), mas também que devemos crescer em santidade (prática). É a obra do Espírito Santo em nós, que nos convence do pecado, nos guia à verdade e produz em nós o fruto que agrada a Deus. No entanto, isso não anula a nossa responsabilidade. Pelo contrário, somos exortados a "aperfeiçoar a santificação no temor de Deus" (2 Coríntios 7:1).

As disciplinas espirituais são os meios de graça que Deus nos concede para buscarmos ativamente essa santidade. A oração nos conecta com a fonte da pureza. O jejum subjuga a carne e nos humilha diante do Senhor. O estudo da Palavra nos lava e renova a mente (João 17:17). A confissão quebra o poder das trevas em nossa vida e nos traz cura. A comunhão com os irmãos nos aquece, nos exorta e nos mantém no caminho estreito. Não podemos esperar uma vida de santidade sem nos dedicarmos a esses meios.

Infelizmente, muitos têm buscado uma "graça barata", que não exige arrependimento, nem mudança de vida, nem separação do mundo. Esquecem-se de que a santidade é a marca registrada do verdadeiro discípulo. Jesus disse: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mateus 16:24). Tomar a cruz é morrer para o pecado e viver para Deus. É uma decisão diária.

A santidade precisa se manifestar no dia a dia. Não é um misticismo vazio ou uma religiosidade exterior, mas uma vida prática de obediência. No trato com o cônjuge, na honestidade no trabalho, no uso do tempo e do dinheiro, nas conversas, nos pensamentos. É negar a impiedade e as concupiscências mundanas e viver neste presente século sóbria, justa e piamente (Tito 2:12). É ser sal e luz onde quer que estejamos.

Que possamos, como igreja do Senhor, levar a sério este chamado. Que não sejamos como a geração que se contenta com uma aparência de piedade, mas nega o seu poder. Que o Espírito Santo nos desperte para uma vida santa, separada para o louvor da Sua glória. Sem a santificação, ninguém verá o Senhor (Hebreus 12:14). Esta é a nossa mais alta vocação.

Leia mais sobre o tema: Disciplinas para Santificação — um artigo prático sobre como caminhar na direção de ser como Cristo.